Morre o ex-prefeito de Papanduva Félix Wawrzyniak

Faleceu no final da tarde desta quarta-feira (15), o ex-prefeito de Papanduva Félix Wawrzyniak. Ele tinha 80 anos. No ano passado, na ocasião do aniversário de 60 anos do município, o Jornal Correio do Contestado entrevistou o ex-prefeito em sua casa. Ele já apresentava sérios problemas de saúde. Já havia perdido parte da visão e tinha alguns momentos de não reconhecer as pessoas, com perda momentânea da memória.

Félix é considerado o prefeito que mais pavimentou ruas na cidade.

Em sua homenagem, republicamos a entrevista cedida no ano passado.

 

 

 

 

Félix Wawrzyniak: Um homem que merece mais do que uma simples homenagem!

 

Félix Wawrzyniak, certamente um homem que merece respeito e aplausos. Neste dia em que Papanduva completa 60 anos, o Jornal Correio do Contestado homenageia o Prefeito que mais pavimentou a cidade.

Com seus quase 80 anos e com a saúde um pouco debilitada pela idade avançada, encontramos Félix em sua residência, sentado ao lado do seu fogão a lenha, e cuidado por sua sobrinha Edite. Foi Prefeito de 1983 a 1988, ao lado do seu vice Manoel Furtado, e assumiram a administração municipal depois do primeiro mandato do saudoso Nataniel Rezende Ribas. Em 2000, foi eleito vice-prefeito, ao lado de Humberto Jair Damaso Ribas.

Em 1986 chegou a receber em Recife, o troféu “Conde de Boa vista”, a mais alta comenda com a qual o Jornal Correio de Recife homenageou o Prefeito Expressão Nacional do Ano. O ex-prefeito de Papanduva se destacou pelo empreendedorismo e preocupação com os problemas sociais do município. Representando o então prefeito, o Secretário de Administração da época e seu braço direito Luiz Carlos Oczkovski recebeu o prêmio, justamente destinado a Félix Wawrzyniak.

De origem polononesa, legitimamente papanduvense, nascido na localidade de Rio da Ponte, com 13 irmãos – oito homens e cinco mulheres, sendo seis vivos e sete já falecidos, foi responsável pela construção de nada menos que 18 escolas rurais, todas em alvenaria, com direito a água encanada e tudo, coisa rara para as localidades do interior na época. Energia elétrica também eram poucas as localidades que possuíam. O ex-prefeito conta que por muitas vezes as construções das escolas foram feita à luz de vela, quando as obras avançavam a noite. A educação sempre foi prioridade na sua gestão, pois ele entendia que “ educando hoje, não será punido amanhã”. Entre as suas grandes conquistas na área da educação, foram a construção da Escola Maria Avelina de Oliveira Furtado, Irene Reva Zadorozny e a fundação da APAE em Papanduva, esta última, fruto de uma grande luta de Eliane Josete Bueno Greinert, que na época trabalhava na assistência social do município.

Também durante a sua gestão foi reformada a sede da Prefeitura, instalando no piso superior o Fórum. Foi ele quem trouxe a Comarca de Papanduva. Foram calçadas a Rua Sérgio Glevinski, o acesso a Avenida Papa João XXIII, entre as mais expressivas obras de pavimentação, além de inúmeras outras ruas da cidade.

Na área da saúde, o governo Félix mantinha convênio com o Hospital São Sebastião para atendimento aos indigentes. Também na sua gestão, foi firmada parceria com o Centrinho de Bauru SP, hospital referência no tratamento para portadores de Lábio Leporino. Hoje, os pacientes portadores de Lábio Leporino de Papanduva e de todo o estado de Santa Catarina são atendidos no Centrinho de Joinville.

No primeiro ano do mandato de Félix Wawrzyniak, uma grande enchente assolou Papanduva- a famosa enchente de 83. As consequências para a cidade foram desastrosas. O município ficou quase que totalmente destruído, principalmente no setor de infraestrutura. Além de vários outros prejuízos, diversas pontes foram levadas pelas águas, entre elas as dos rios São João e Itajaí, que foram reconstruídas com recursos próprios. Em 1983, o orçamento do município era de 190 milhões de cruzeiros, valor quase que incalculável para os dias atuais. Mas era muito pouco. E com esse muito pouco, ele fez muito! Construiu a ponte da Rua Mafra (em frente à Tratorama), a ponte atrás da Agricol Materiais de Construção, ponte do Craveiro, Ponte da Rua Pedro Povaluck e a do Rio da Ponte. Outra realização foi a construção da Ponte do Rio Iraputã, na divisa de Papanduva com Santa Terezinha.

Foi também na gestão de Félix que as empresas Lynel Indústria Têxtil e Confecções Luciane foram instaladas em Papanduva, com apoio da Prefeitura Municipal, que doou uma área de terra e vários outros incentivos.

O Estádio Municipal, antes às escuras, recebeu iluminação e vestiários. O terminal rodoviário e o Ginásio de Esportes foram metas do governo Félix, realizadas no mandato seguinte, quando Nataniel Rezende Ribas foi prefeito pela segunda vez.

Além de tudo isso, o ex-prefeito deu total apoio aos acampados que invadiram as terras do Campo de Manobras Marechal Hermes, na localidade de Campina Jungles. Algumas famílias construíram suas casas e permanecem até hoje no local.

Félix como benfeitor

O nosso homenageado foi e continua sendo um grande benfeitor para a comunidade papanduvense. Recentemente doou R$ 40 mil para o Hospital São Sebastião. Também ajudou na construção de Igrejas e Salões Comunitários do interior. Somente para o Salão Comunitário da localidade de Rio da Ponte, fez uma doação de nada menos que R$ 80 mil.

Totalmente desprendido de bens materiais, durante a nossa conversa, o ex-prefeito lamentou que algumas pessoas da sociedade, com um padrão de vida muito superior ao dele, não ajudam a comunidade com ele fez e vem fazendo. “ Quando eu partir, daqui não levarei nada.” Em um desabafo, lamentou ainda que os governantes que o sucederam não deram continuidade às suas obras e que as intrigas políticas só servem para atrasar ainda mais o desenvolvimento da cidade. “Papanduva não seria a cidade que é agora se os outros prefeitos tivessem dado continuidade às minhas obras. Vocês não fazem ideia do que seria Papanduva hoje. Cadê a Tyson? Cadê aquela outra empresa (referindo-se a Globo Aves, acordo assinado e não concretizado)”.

 

Félix e a Política

Ele não tinha nenhuma intenção de entrar para a política. Vivia sua vida pacata, cuidava da sua serraria na localidade do Rio da Ponte e de suas terras, inclusive no Tocantins, que depois foram vendidas. Na época o prefeito era eleito pela soma da legenda, com três candidatos a prefeito e um a vice. Nas eleições de 82 o cenário era o seguinte: Luiz Carlos Oczkovski, Félix Wawrzyniak e Francisco Frederico (in memorian), candidatos pelo PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), tendo como vice Manoel Furtado – Neco Furtado (in memorian). Na oposição estavam: João Schadeck (in memorian), Amilton Almeida, Aloísio Partala e vice Soter Povaluck, pelo PDS (Partido Democrático Social). O PMDB saiu então vitorioso, com Félix Wawrzyniak.

Ele conta também que fez inúmeras viagens a Brasília, e lá conseguiu muito pouco. Governou o município com quase nada de apoio do Governo Federal.

Félix é com certeza um homem de valores inestimáveis. Faz parte da história do município de Papanduva. Deixou um grande legado para a cidade. Ao seu Félix, Papanduva rende suas honras e só tem a agradecer.

 

Uma mensagem

O homenageado também fez questão de parabenizar Papanduva pelos 60 anos:

“ Parabéns pelos 60 anos de Papanduva e muita saúde, paz e felicidade a esse povo estimável de Papanduva!”

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